AVISO!

Essa é apenas uma versão da minha obra, ainda não revisada. Alguns trechos serão alterados e personagens terão seus nomes também trocados! Desculpem qualquer erro de ortografia!

CAPÍTULO II

“O Conselho”



                Momentos depois, na cidade imperial de Sfallow...

                “―Eu digo que devamos rever as possibilidades do Conselho fazer uma visita ao reino de Mafler. Com essa constante ameaça de Khor, seu governante, não podemos acreditar que estamos em tempos de tréguas. Ele deve está maculando algo grande!” - Opina um senhor de aparência robusta e barbas longas. Ficando-se de pé no momento em que dirigia sua voz aos lideres do Conselho, que se localizavam turvas à frente, atrás de uma bancada ornamentada com símbolos e escudos representando o reino de Sfallow. Trancando os punhos, parecia está cheio de ódio e preparado, se fosse o caso, para invadir Mafler e acabar com toda a maldade que ascendia daquela cidade.
                Na imensa sala circular cheio de adereços e bandeiras que representavam os reinos unidos de Sfallow, onde acontecia a reunião do Conselho, um alvorosso tomava conta daquele local. Parecia ser a vontade de todos os lideres presentes.

                “―Um momento senhores!”
                Uma voz alta e de autoridade chamou a atenção de todos que logo se colocaram em silêncio absoluto.
                Um homem que sentava entre os dez que estavam na bancada se levanta. Vestido de um manto vermelho escarlate com ornamentos dourados era possível ver ao longe que se tratava de um poderoso homem. Ele usava diversos acessórios como, medalhões e anéis de puras gemas. Falava com uma voz calma, mas ainda fraquejada pela avançada idade. Sua cabeça era coberta pelo manto escondendo metade de seu rosto, deixando de fora apenas parte do nariz e queixo. Sua barba se estendia abaixo da altura do peito e afinada nas pontas por uma fita vermelha.
                “―Senhores! Não podemos simplesmente tomar um exército, atravessar as terras de Balmilnazfask, Com a finalidade de invadirmos Mafler. Não é viável iniciamos uma guerra antes de tentarmos uma negociação. Não posso chegar à Majestade e dizer-lhe que pretendo usar setenta mil  ou cem mil homens para cruzar estas terras comigo com o propósito de atacar Mafler! Estaremos desguarnecendo nossas forças. Mafler também tem uma das maiores concentrações de terra de toda Balmilnazfask e não podemos esquecer disto! E a propósito, não foi só esse motivo que me fez reunir o Conselho no dia de hoje. Tenho de compartilhar-lhes algo de tamanha importância e graça. À muito tempo, recebi de nossas divindades supremas uma profecia. Uma profecia que se fez cumprir no início da quenite passada. Ouçam:

                'Haverá um dia em que um senhor podre se fará rei. Duzentos períodos quenitais se sucederão e sua cria alada nascida  do martelo do deus morto levará a fumaça da dor para as terras verdes do alimento branco e bem adorado. E o dia do alimento não mais será de festas até que a salvação chegue. A salvação só será concebida, se o escolhido dos anjos, dotado de medo, vencer a dúvida e entregar a tua vida em troca de sua mais valiosa pérola.'
                É isso!”- Declara o mago.

                “―Luz Branca! O que essas palavras querem dizer?! Não entendo profecias. Não sou nenhum profeta ou sacerdote.” - Um homem surgindo pela porta da lateral esquerda que dá no castelo. Somente o Rei podia passar por ela. E era o próprio. O Henrico IX estava naquele momento no salão, presente no conselho. Todos se levantaram e o reverenciaram mantendo-se ajoelhados e de cabeças baixas. Com exceção do mago “Luz Branca”.
                “―Majestade!” - O mago Pantoja “O Luz Branca”, o reverencia com apenas um gesto de a cabeça e logo, tenta uma explicação. “―Majestade, isso quer dizer que...” -  Pantoja, é interrompido por um pressentimento, sentou-se imediatamente porque bambeava como se estivesse sem sentidos.  Henrico IX, percebendo isso pegou nos braços de Pantoja e o acomodou em seu banco.
                “―Pantoja!! Pantoja!!! O senhor está bem?! Me responda meu amigo! - Desesperado com o que acontecera com o velho mago a sua frente, sua Majestade, o Rei Henrico IX o encosta novamente em sua cadeira e espera que Pantoja se recupere.
                “―Majestade, o senhor precisar enviar um exército imediatamente para Ancharion! Perdemos a cidade. E... minha neta, ela está perdida na região fugindo dos inimigos.” - Avisa Pantoja!
                “―Por Balmilnazfask!!! Mas levaremos quenites para chegar a tempo.” - Avisa o rei.
                “―Mande o Haster! Ele precisa consumar a profecia. Eu o enviarei com magia.”
                “―Velho, o senhor está fraco e não vai conseguir fazer nada desse jeito!”
                “―Minha idade não é ainda tão avançada que possa me deixar incapacitado, majestade! Meu corpo não controla minha mente e meu espírito. Deveria saber, pois lhe ensinei isso.” - Avisa Pantoja.
                “―Tudo bem!” - Responde o rei fazendo um gesto de estalar os dedos para um oficial da guarda, presente no local.
                “―Atenção senhores do Conselho! Eu, sua Majestade o Rei, declaro encerrada a reunião do Conselho por hoje. Voltaremos a nos reunir em breve. Aguardem o meu chamado!” - Avisa sua Majestade, o Rei.
                As postas localizadas nas extremidades superiores das bancadas dos lideres que mais pareciam incontáveis escadas se abrem e guardas do castelo, conduzem os membros de Conselho de volta aos seus aposentos.
                “―Venha, meu velho! Vou levá-lo ao seu quarto.” - Com imenso cuidado, o rei Henrico conduz o velho mago aos seus aposentos conduzindo-no pelas mãos como um filho que cuidava de seu velho pai.
                Tempos atrás, o mago Pantoja fora encarregado pelo Rei Henrico VI de cuidar de sua família. Filhos dos seus filhos a fim de manter o reinado iniciado pelos seus antepassados. Sfallow é hoje o maior e mais respeitado reino em toda Terra de Balmilnazfask. O Mago Pantoja “O Luz Branca” foi responsável pela educação de três gerações da família real. É é por isso que ele é tão respeitado pelo rei. É amado também.
                Henrico IX foi coroado rei muito novo. Já havia perdido o pai e o irmão. Sendo o único filho homem vivo, assumiu o trono e desde então, vem conduzindo Sfallow com perseverança. Pantoja ajudou a criá-lo juntamente com sua irmã Mena auxiliando a rainha Calluini de Postur com educação e estudo de cidadania com todo o cuidado para que Henrico e Mena pudessem herdar os princípios de seus antepassados.
               
                Momentos depois, no templo de Natan  Stollen a doze turcunas ao longe do castelo de cristal...
               
                Um cavaleiro montado em um grande e negro cavalo de guerra, armadurado como se fosse para uma guerra escoltado por dois batedores segurando cada um, as bandeiras do Reino de Sfallow e o escudo da família real, seguem em velocidade para o templo. Ao se aproximarem do templo, guardas tocam as cornetas de alerta anunciando a chegada da guarda real de Sfallow e assim, se preparam para receber os enviados do rei.
                I Capitão da Companhia Real do Castelo de Cristal, o oficial Rain Nertluione puxa com ferocidade as rédes de seu cavalo obrigando-no a parar repentinamente.
                ―Guardas, preciso vê-lo. Tenho uma mensagem de sua Majestade o rei.” - Diz o capitão.
                “―Senhor, ele está no templo. Não podemos interferir neste momento mas informo que ele está no final de suas orações e virá imediatamente.”
                “―Ora bolas! Vim a mando de sua Majestade. Ele deve atender-nos imediatamente.” - Alerta o capitão.
                “―Senhor, não podemos interferir na oração de um paladino com o seu deus. É contra as leis divinas, senhor. Temos homens na saída da sala sagrada, assim que ele deixar a sala, ficará sabendo do que está acontecendo.” - Explica o soldado.
                Dentro da sala sagrada, uma luz branca ofuscante brilha intensamente sem cessar. Quando a luz se apaga, revela um cavaleiro armadurado com a cabeça exposta sem o seu elmo que estava localizado no chão a sua frente. Um belo rapaz de rosto fino sem marcas de guerras e com leve sorriso de gratidão. Parece que sua conversa com seu deus fora bastante amistoso. Ficando-se de pé, ele coloca o elmo e o ar de bom moço ganha agora a presença de um guerreiro da paz. Sua mão direita segura o cabo de sua espada bastarda que por poucos centininos não tocavam o chão. Sua armadura de cor branca exalava um forte cheiro de flores do campo e ornamentadas com pedras preciosas das cores azul e preta. Diversos símbolos nas cores de preto e dourado enfeitavam ainda mais aquela bela armadura. E agora, completa com o elmo com detalhe para a proteção do rosto que mais lembrava o rosto de um anjo. Pedras vermelhas no local dos olhos davam a tenebrosidade de um verdadeiro enviado dos deuses para julgar e punir os impuros. Este misterioso e contemplativo cavaleiro, era chamado de Arthas Araniel.
                Ao deixar a sala de orações, Arthas é surpreendido por soldados do templo que o informam dos visitantes. Com um leve gesto positivo com a cabaça. Um dos guardas o cobre com uma longa capa de um pano nobre e grosso que de tão comprido, toca o chão.
                “―Mas isso é um desrespeito com a vossa majestade o rei! Onde está esse soldado?” - Sem mais paciência pergunta o Capitão aos homens que bloqueiam a entrada do templo.
                “―Estou aqui Capitão!” - Responde Arthas, caminhando na direção do capitão e tendo a passagem desbloqueada pelos guardas.
                O Capitão Rain esperava já impacientemente quando surge de dentro do templo descendo as longas escadarias um homem com uma bela armadura que brilhava tanto que parecia reluzir a própria luz do paraíso dos deuses.
                “―Você é quem eu vim encontrar?” - Pergunta o capitão tentando confirmar as suspeitas.
                “―Se viestes de tão longe e não sabeis quem procuras, é melhor que volteis donde veio, Capitão.” - Responde afiadamente Arthas.
                O capitão não entende muito bem as intenções deste guerreiro. Como sua Majestade o rei, poderia conceber a um homem como esse, esta missão? Este homem, não parece ser digno, pois trata até mesmo autoridades como seres  inferiores. Seu ego, pedia por um duelo. Mas não podia, estava à missão do rei.
                “―Isso é para você.” - Diz o capitão gesticulando com o olhar para um de seus guardas.
                Imediatamente, o guarda que estava a sua direita pega uma espécie de pergaminho e se aproxima do paladino para entregar-lhe.
                Arthas recolhe da mão do guarda que logo dá meia volta e retorna para o seu lugar, ao lado de seu capitão, o tal pergaminho e o abre.
                Reconhecendo o selo no objeto que acabara de receber em mãos, ele apressa-se em abri-lo.
                “―Está na hora! Temos de ir ao Castelo.” - Avisa Arthas, sabendo que tratava-se de uma convocação para uma missão e decide então, partir imediatamente junto com o comboio do capitão rumo ao Castelo de Cristal.
                Giros se passam e o exército de Sfallow se preparam para iniciar a jornada, rumo à Ancharion.
               
                Eles partem...


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                Ainda em Ancharion...
               
                Keny, Dinist, Kimberly e Luana, assistiam de longe a batalha. Impressionados cenas de tamanha crueldade que uma batalha trazia, torciam para que o exército anchariano conseguisse expulsar os inimigos sem que a cidade sofresse alguma coisa.
                Uma enorme esfera surgia na frente do exército anchariano e seguia bem rápida na direção dos inimigos. Uma grande explosão de fogo podia ser vista de longe. Já não existia mais tantas criaturas quanto antes. Era óbvio que agora, o exército anchariano era em maior número. Estavam próximos da vitória. Quando uma enorme sombra passara por eles fazendo com que os Keny e seus amigos se escondessem novamente atrás do barranco.
                Era uma imensa criatura de asas enormes. Uma criatura como nunca haviam visto antes.
                “―Um dragão!?” Dizia Kimberly, tentando engolir o choro e o desespero. “―Meu avô, já me contou sobre essas criaturas. Elas são nossas amigas.” - Afirmava Kimberly um pouco mais aliviada. Achavam que alguém a mandar para reforçar as defesas de Ancharion.
                Kimberly estava errada. A criatura não fora mandada para sua defesa e sim para eliminar de vez quaisquer possibilidades de reação de Ancharion. Um fumaça verde saía de sua boca e cobria todo o campo de batalha. E quando aquela estranha fumaça se dissipava, grande parte do exército anchariano estava derrotada. Novamente, aquela mesma esfera de fogo destruidora ganha altitude rapidamente indo em direção daquela criatura e atingindo-a em cheio. Mas a criatura surge em meios às chamas como se não tivesse sofrido nenhum arranhão e solta mais uma vez aquela fumaça verde acabando de vez com o exército anchariano.
                Assistindo de longe, incapacitado de não poderem fazer nada de útil para ajudar, os jovens se desesperam deixando o esconderijo ensaiando um corrida de volta a cidade. Mas logo param temendo por suas vidas também.
                “―Pai!!!!! Mãeee!!!!” - Grita Keny pelos seus pais que ainda estavam na cidade no momento do ataque.
                Dinist e Luana, também choram desesperadamente ajoelhados no chão ainda no esconderijo.
                Keny tentando buscando forças, sabia que não podiam permanecer ali por muito tempo. Estavam correndo perigo. Ancharion estava cercada completamente e a imensa criatura, pousava no centro da cidade eliminando as últimas resistências que lutavam arduamente.
                “―Pessoal! Temos de sair daqui. Temos de chegar a Styrpe o quanto antes e avisarmos o que aconteceu a Ancharion. Se ficarmos, morreremos aqui também.” - Alerta Kimberly.
            “―Nós não podemos partir e abandonar nossas casas assim! Nossos pais está lá! Eles estão vivos, eu sinto!”      “―Keny, nada poderemos fazer se ficarmos aqui.” - Fala Kimberly.
                “―Nem sequer temos armas.” - Diz Dinist olhando para sua próprias mãos vazias e sujas de areia.
                “―Vamos! Temos de ir o quanto antes!”
                “―Kim, como você pode ter certeza de que eles não destruíram Styrpe também?”
                “―Eu não sei Lu, mas é a nossa única esperança no momento.”
                Kimberly se aproxima de Keny e o toca no rosto. Pegando também em sua mão, ela o puxa o erguendo novamente de pé...
                “―Keny, eu posso imaginar a dor que está sentindo. Também perdi meus pais. Mas, tenta ter esperança! Lembra de quando estudávamos juntos? Quando o professor Limpotic explicava as histórias de guerra de nossa cidade? Ele dizia que em casos de ameaças de guerra, todos que não fossem de guerra eram levados para um abrigo nas montanhas. Eles podem estar vivos e nesses locais. E é por isso que temos de correr para Styrpe. Temos de avisar a alguém sobre isso!”
                “―Você tem razão Kim. Eu sinto que está tudo bem com eles. Mas a dúvida, me consome de dor. Mas eles estão vivosa sim. No fundo do meu coração eu os sinto ainda. Com medo, mais estão bem e protegido e se corrermos, eles serão salvos!” - Diz um pouco mais animado, Keny.
                Ainda, segurando na mão de Kimberly, Keny pergunta:
                “―Eu só queria saber, como aquela quantidade de monstros e esqueletos conseguiram cruzar a distância de Mafler até Ancharion sem chamar a atenção do exército de anchariano e até de Sfallow?”
                “―Eu também!” - Reponde Dinist.
                “―Vamos seguir pela trilha?! Não é perigoso com essas criaturas a solta.” - Pergunta Kimberly.
                “―E logo vai anoitecer.” - Completa Luana.
                “―Não! Nós vamos seguir pelo bosque. Dinist e eu, conhecemos um atalho seguro.”
                “―Então vamos!”
                “―É!”
                Os quatro jovens então, partem rumo ao vilarejo de Styrpe.
                Logo a noite cai. E os jovens em sua caminhada decidem por parar devido ao desgaste físico.
                “―Pessoal! É melhor pararmos para descansar.! Já estamos andando faz muito tempo.” - Avisa Dinist.
                “―Não temos nenhum lugar para parar por aqui, vamos ter de improvisar uma cabana para passar a noite.”
                “―Tudo bem, Keny! Vamos fazer o seguinte então! Eu e você vamos pegar madeira para fazermos a cabana. As meninas, procuram folhas para cobrir a cabana. O que acham, vocês duas?”
                “―Por mim tudo bem.” - Responde Luana olhando para a amiga que concorda com o plano.
                Dinist e Keny, saem a procura de galhos para sustentar a tal cabana que pensam em construir para passarem a noite.
                “―Dinist, achei um bom galho!”
                “―Legal!” - Responde Dinist, indo ao encontro de Keny.
                Enquanto isso, as meninas procuram folhas que possam usar de telhado e paredes para a cabana.
                “―Kim, será que vamos sair vivas disso tudo?”
                “―Mas é claro Luana! Não pense nisso. Tenho certeza de que vamos conseguir ajuda. Meu avô já deve está sabendo de algo. Ele vai nos achar, tenho certeza.” - Kimberly responde com certo otimismo a pergunta de Luana. “―Temos de andar rápido, os meninos já devem estar voltando.”
                Keny e Dininst retornam para perto das meninas. E logo juntam o que acharam e começam a construção do tal abrigo. O bosque começa a tomar forma intensa, pois começa a escurecer. Antes uma área com árvores não muito altas e terra batida passa ter a semelhança com floresta grande, intensas e assustadora para quatro jovens que começavam a ter pela primeira vez a possibilidade de serem maduros o suficiente para fazer o que bem lhes entendia. Mas com certeza, eles não queriam era esse motivo. Fugir. Fugir de suas próprias casas.
                Fugir para sobreviver.
                A noite prometia ser longa e fria. Decidiram não dormir todos ao mesmo tempo. Programaram-se para pernoitar. Cada um, dormiria por dois giros na ampulheta que Dinist carregara sempre consigo, e partiriam assim que tivessem descansados.
                A guarda era necessária para que não fossem surpreendidos por nada. Embora não pudessem lutar. Estavam armados de alguns pedaços de madeira bem pontudas.
                Keny acorda para render a Luana. Logo ela se deita e dorme instantaneamente de tanto cansaço. Estava também com muito medo. Keny, sofria pela dor de perder sua casa e tudo que tinha. E ainda sofria pela dúvida de sua família ter sobrevivido a invasão ou não. Mas desejava que jamais saísse de perto de Kimberly. Tinha o dever de protegê-la. Mas torcia para que nada acontecesse. Tinha muito medo e não podia esconder. Era normal, o medo. Ele não era um guerreiro. Era um jovem corajoso sim. Mas não burro e imprudente. Sabia que nada poderia contra aquelas coisas que já pareciam estarem mortas. Mas gostava da responsabilidade de proteger seus amigos. E quisera poder contar dos perigos que foi capaz de prevenir seus amigos e sua amada enquanto dormiam. Mas mentir, ele não queria.
                Perto dali.
                Uma horda de esqueletos vasculham as matas a procura de qualquer sobrevivente anchariano. As ordens que receberam eram bem claras: “NÃO DEIXAR NENHUM SOBREVIVENTE.”


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                Turcunas dali, o Rei Khor, senhor de Mafler, festejava a vitória que já parecia certa com mais dois membros em seu salão. A invasão tinha sido um sucesso e melhor... Sfallow nada ainda sabia.
                Rei Khor, um homem sem traços humanos, vestia uma meia armadura negra com detalhes em forma de chifres nos ombros e um crânio no cinturão. Seu rosto era seco, deixando bastante visível os orifícios de seu crânio. Sua aparência, era de um guerreiro morto há tempos. Mas seus movimentos ainda eram precisos.
                “―Hahahhhahhaha!!!! Sfallow, nada pode fazer. Ancharion agora é minha e agora, seguirei com o meu plano. Concentrarei todo o meu novo exército no reino de Ancharion e partirei para as outras regiões dominado e guarnecendo sempre. Estou a passos largos a frente de meus inimigos e agora, me prepararei para o golpe de misericórdia. Huahuaoaaoaiaao!!!!!” - Uma voz rouca e ofegante ecoava no salão. Se vangloriava Khor pelo primeiro passo de seu plano, ter sido realizado com sucesso.
                “―Majestade! O senhor conseguiu a cidade de Ancharion. Mas Sfallow, não deixará barato. Eles já deve está sabendo e provavelmente já devem está concentrando força máxima para nos invadir.” - Diz o cavaleiro de armadura vermelha. Sua armadura, mas parecia um rubi e tinha e diversas manchas em vermelho escuro. Lembrava sangue seco de vitimas feitas em batalhas.
                “―Meu caro Julian de Corpufth! Sei que estamos perto de receber uma visitinha de nossos vizinhos. E é claro que tenho uma surpresa para eles.” - Afirma Khor a seu cavaleiro que o responde ajoelhando-se a sua frente.
                Khor, por sua vez aponta na direção de uma entrada a esquerda de seu salão onde se encontrava um homem vestindo um sobretudo que o cobria até a cabeça. Tinha o corpo fino e parecia carregar muitas coisas. Pois podia ver claramente pelos contornos do manto sobre as costas, uma volumosa mochila.
                “―Julian, meu fiel guerreiro! Meu fiel assassino! Temos esta vantagem graças a esse importantíssimo aliado. Vlad!” - Dizia Khor, apresentando Vlad ao seu lacaio. “―Meu caro Vlad! Este é Julian de Corpufth, Guerreiro de Sangue. Ele é devoto de Alkatus, o poderoso Deus da Morte, que prometeu me liberar deste fardo, se eu exterminar com os filhos do Deus Guerreiro.
                Vlad se vira para o salão revelando-se. Usando uma capa de couro preto, mostrava-se aparentemente atento aos acontecimentos. Sua capa, cobria todo o seu corpo ocultando seu verdadeiro traje. Ele não deu tanta importância aos cumprimentos e logo se aproximou de Khor.
                “―Muito bem Majestade, agora somos todos conhecidos, seria melhor mandar sua belezinha para o segundo alvo.”
                “―Segundo alvo?!” - Pergunta Julian.
                “―Tens razão, Vlad! Mandarei Dracal, para a Escola Necromântica da Deusa Millena agora mesmo, e daremos mais um passo para o nosso objetivo.”
                “―Mas, majestade! Temos de reunir a tropa. Estamos enfraquecidos. Não esperávamos ter tantas baixas como as que tivemos na batalha de hoje. E Dragal, já está fora de nosso limites de controle!”
                “―Não temas, Julian! Enquanto eu tiver isso poderei controlá-lo a enormes distâncias.” - Responde Khor, mostrando uma pequena esfera de metal alojada sobre a testa de um crânio em seu cinturão. “―Quanto as tropas. Não precisaremos de reforços agora. Temos tempo. Dracal fará apenas uma visita. Seu objetivo é diminuir as resistências de nossos inimigos.
                Pois bem!... Sactus, veractures, crecture, lestuir. Santurus parkeni tupestat. Melkart millestrini turas pascar eficas, mastroni gosterp alastre POR-TRE-TI-FUERAS!!!!” - Khor recita algumas palavras em um dialeto estranho e infame. Erguendo suas mãos abertas sobre sua cabeça, elas começam a emanar uma energia branca com tonalidades violeta. Por alguns instantes, toda a montanha onde é localizado o castelo de Khor, treme. Khor abaixa as mãos e segue na direção de uma grande janela naquela salão, onde é possível ver todo o reino de Mafler. Vlad, surpreso com tamanho poder de seu aliado, hesita em acompanhá-lo, mas logo se aproxima também da janela. O mesmo acontece com Julian.
               
                Ainda, no decorrer da madrugada no bosque.

                “Clikt!!!”
                “―Que barulho foi este?” - Assustado, Keny se pergunta.
                Ele se levanta tomando em mãos a tal madeira que fizera como arma e dá pequenos passos ao redor do acampamento esperando pelo pior.
                “―Keny?!”
                “―Haaaag!!” - Keny se assusta e leva a madeira para trás de sua cabeça, preparando para golpear o alvo...
                “―Hei, hei! Sou eu, calma!”
                “―Kimberly!! Caramba! Você quase me matou de susto. Quase que te deou uma madeirada na cabeça! Ai caramba!”
                “―Desculpa! É que eu não estava conseguindo dormir. Você pode me fazer companhia?”
                “―Hmm... Mas é claro!” - Afoito e surpreso, Keny responde.
                Keny, sabia que o momento era muito sério. Mas não podia negar que isso, os deixou mais juntos. E isso, o enchia de coragem.
                “―Será que vamos voltar a viver nossas vidas como antes?”
                “―Se nossos bons deuses quiserem, é claro que sim Kim!”
                Kimberly, dá um leve sorriso e olha para baixo. Ela se senta em um tronco e Keny a imita. Os dois sentam-se um ao lado do outro. Kimberly, sem sono, mas demonstrando tamanho desgaste, encosta no ombro de Keny.
            “―Eu estive pensando. Eu sempre achei que você era covarde. Bem! Não covarde. Desculpa a palavra grosseira! O que eu quis dizer, é que, você nunca foi de guerras, batalhas, sabe? Sempre no reino estudando, nunca se meteu em nenhuma encrenca. Eu sempre te achei certinho de mais. Não que eu não seja assim também. Mas, por você ser homem. Achei que você deveria...”
                “―Sei o que está tentando dizer, Kimberly. Mas eu sempre fui feliz desse meu jeito. Sempre me preocupei com os outros antes de mim. Isso não me faz diferente de ninguém. Apenas um tanto que especial. É assim que eu me vejo.”
                “―Keny, não me leve a mal. Eu só quero te dizer que, você é realmente muito especial para mim sim. Embora você, nunca tenha feito nenhum ato assim glorioooosoo, sabe? Destemiiido! Mas, você nunca escondeu de mim e nem de ninguém o que você sente por mim. Ninguém nunca disse as coisas que você me disse algumas vezes. Eu gostaria muito de retribuir o sentimento que você me oferece. Mas não posso. Desculpa! Mas espero que me aceite de coração como amiga!”
                “―É claro que aceito você como amiga. Mas sofro cada dia, quando vejo que você nunca vai me amar como eu te amo. Não tenho como me livrar disto. Mas isso me machuca. Tanto quanto um ferimento.” - Explica Keny.
                “Clikt!!! Cliktit!!!”
                “―Outra vez esse barulho!”
                “―Que barulho Keny?!”
                “―Levanta, chama os outros, rápido!”
                “―Por que? O que está havendo?” - Assustada, Kimberly entra correndo na cabana e sacode Dinist e Luana para que acordem. Os três saem também com madeiras nas mãos e ficam em guarda.
                “Huauhgggg! Hugghhhs!
                “―Meu Deuses, eles nos encontraram!!!” - Diz Luana.
                “―Droga!” Responde Keny, olhando para os lados procurando um lugar para escaparem.
                “―Vamos por aqui!! Venham!” - Gritava Keny, indo na direção norte pulando um arbusto.
                Todos seguiram Keny e partiram por dentro do bosque.
                Esqueletos brotaram de todos os lados e iniciaram uma caçada aos quatro jovens por dentro da mata escura.
                Eram muitos e estavam infestando o reino. Os guerreiros mortos na batalha mais cedo, estavam se levantando agora, como inimigos. Eles estavam por toda parte e agora tinham a aparência de cadáveres. Ancharion, nunca esteve desprotegida., esses guerreiros foram pegos de surpresa e nada puderam fazer para ajudar ou até mesmo salvar as próprias vidas.
                “―Corram!!! Vamos!!”
                “―Droga, rápido pessoal!” - Gritava Dinist.
                Os esqueletos, iam se colocando em pontos estratégicos a fim de cercar os quatro jovens, quando uma luz arrebatadora invadi o bosque, dando a sensação de dia claro por alguns instantes.
                Arthas, surge montado em um grande cavalo branco sem cela. Dos olhos do animal, surgiam chamas nas cores azuis e um fraco amarelo. Os galopes deste cavalo, deixavam rastros de fogo por onde passava. Mesmo voando. Arthas montava um lendário Pesadelo Branco. Um animal lendário como nunca jamais tinha sido avistado nem mesmo em histórias. Arthas, segura com a mão esquerda a crina do animal como rédeas e na outra, sustentava sua belissíma espada.
Da lâmina de sua espada, saíam luzes brancas e com movimento precisos como se cortasse o próprio espaço, rajadas de energia atingiam cada esqueleto que se mexia. Arthas, era rápido. E ele queria, era alcançar os quatro jovens. Seu Pesadelo era capaz de deslocar a velocidades absurdas e quando avistou Keny e seu grupo, saltou do seu cavalo a uma altura sobrehumana, levando sua sagrada arma para trás de suas costas e com um movimento circular da direita para esquerda, lançou um poderoso golpe no esqueleto que naquele momento, se preparava para desferir um golpe fatal pelas gostas de Luana. Instantaneamente a criatura estoura e cai em pequenos pedaços de osso inanimados.
                Arthas se juntara ao grupo enquanto ainda existiam inimigos vindo.
                “―Esperem!!” - Grita Arthas. “―Fiquem atrás de mim e fechem os olhos quando eu mandar!”
                “―O que? Quem é esse cara?!”
                “―Sei lá Keny, mas ele está nos ajudando. Vamos fazer o que ele pediu!”
                “―A Luana está certa.” - Completa Kimberly.
                Keny, Kimberly, Dinist e Luana se agacham atrás de Arthas que os cobre com sua capa.
                “―Agora, fechem os olhos e não olhem por nada até que eu vos peça.” - Avisa Arthas que logo depois, dá início a uma oração.
                “―É por ti, Ó Deus Natan, que sigo sem seçar. Dedico a voz minha vida e alimento-me da minha fé. Com a devoção que tenho em ti, Ó poderoso Deus Da vida e da morte, iluminai a minha vida para que um novo raiá dos dois sóis eu possa ver. É por ti que levo a luz redentora.” - Diz Arthas, erguendo sua espada aos céus. Um trovão cai sobre a lâmina estremecendo todo o local. A lâmina da espada de Arthas se torna incandescente em uma cor branca ofuscante como as dos sóis gêmeos. Logo depois de receber tamanha energia, Arthas direciona sua espada a sua frente na direção dos esqueletos e uma forte rajada de luz que ilumina uma grandiosa área, eliminando assim, todos os esqueletos daquele local.


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                No reino de Ancharion, a imensa criatura abre e bate suas imensas asas e barulhos de juntas de metal ecoam estrondosamente. Logo em seguida, alça vôo rumo as colinas.
                Ainda é madrugada, mas o povo segue rumo ao abrigo das colinas. O comboio foi reduzido. Muitos homens do exército anchariano sucumbiram nas lutas tentando proteger as pessoas inocentes.
                “―Comandante!”
                Um guarda grita cruzando em alta velocidade o comboio que se estende por várias turvas.
                “―O que foi soldado?”
                “―Senhor, tem algumas pessoas que não estão conseguindo mais andar. São velhos e crianças.”
                “―Temos muitos homens à cavalo. Mandem que desçam de suas montarias e dê aos que mais precisam. Faremos um revezamento até que nossa jornada termine.” - Ordena o Capitão.
                O comboio segue rumo aos abrigos e já se aproximam das colinas. Os exércitos anchariano temem que seus inimigos estejam por perto e vão a cada região adentro vasculhando todas as áreas.
               
                Do outro lado das colinas. A criatura enviada de Khor, segue a procura da Escola Necromântica para cumprir com as ordens de seu criador.
               
                “―Comandante Merck! Tenho ainda uma dúvida que me consome.” - Pergunta, um dos oficiais da guarda.
                “―Diga, Eumack.”
                “―Senhor, o que Khor planeja, invadindo ancharion? ”
                “―Eu ainda não sei, Eumack. Mas, acho que tem alguma coisa haver com aquele objeto que o mago Luz Branca levou a Sfallow. Khor desejava aquele objeto e de uma coisa, eu tenho certeza! Jamais, aquele objeto poderia cair em mãos erradas.”
                “―Sim. Eu estava com o grupo que achou o tal objeto. Lembro-me bem, que esse objeto estava junto com um pergaminho. Parecia que estava rasgado e não éramos capazes de lê-lo.”
                “―Rasgado?” - Pergunta o Comandante Merck, virando toda a sua atenção o para o oficial Eumack.
                “―Poderia ter sido dividido, justamente, para que ninguém pudesse entender o que nele existia.” - Deduzia Merck.
                              

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                De volta ao bosque.
                Finalmente a ofuscante luz branca se extingue.
                “―Já podem abrir os olhos.” - Diz Arthas recolhendo sua espada de volta a bainha presa ao seu cinturão.
                “―Uall! Quem é você!?” - Pergunta Dinist olhando com atenção para aquele histórico cavaleiro a sua frente. Ele já ouvira falar dos paladinos, magos, feiticeiros e guerreiros poderosos. Mas nunca os tinha visto, pelo menos um deles em ação. Era místico.
                Batendo sua capa removendo a poeira, responde Arthas. “―Eu, sou Arthas Araniel.”
                “―Você é um paladino, não é?” - Pergunta Dinist entusiasmado.
                “―Sim.”
                “―De verdade, mesmo?” - Pergunta, Luana.
                “―Sim. Vocês estão bem?”
                “―Estamos. Eu acho! ” - Responde, Keny.
                “―Como você nos achou?”
                Arthas gira a cabeça para a esquerda procurando a pessoa detentora de tal voz.
            “―Hmm! Estou procurando por uma pessoa. E os vi em perigo. Desviei de meu caminho e não posso demorar a retorná-lo. Mas talvez, você possam me ajudar. Estou a procura de Kimberly Melkiner.”
                Keny, Dinist, Luana e Kimberly trocam olhares assustados.
                “―O que você quer com ela?” - Pergunta Keny.
                “―Por que, vocês a conhecem?!”
                “―Se nos disser o que você quer com ela, talvez possamos lhe ajudar.” -Informa a própria Kimberly.
                “―Vim a mando do “Luz Branca”, para proteger e levar sua neta para um lugar seguro.”
                “―Como assim? O que está acontecendo?” - Pergunta Kimberly.
                “―Mafler, tomou Ancharion e pretende iniciar uma grande guerra.”
                “―O que? Mas.. Como ele... Não pode ser.” - Indaga Luana.
                “―Khor só pode está maluco em querer comprar briga com Sfallow.” - Afirma Keny.
            “―Infelizmente, não posso lhes contar mais nada. Você podem ou não me ajudar?”
                “―Como podemos ter certeza de que podemos confiar em você?” - Pergunta Kimberly.
                “―Não tentei matá-los.” - Responde sem muitos rodeios, Arthas.
                “―Sou eu. Eu sou Kimberly, neta de Pantoja. E esses são meus amigos. Keny, Luana e Dinist.”
                “―Isso é uma bela coincidência. Bem... Como você já sabe, terá quer vir comigo. Seu avô ordenou que eu a levasse em segurança.”
                “―Não vou a nenhum lugar sem meus amigos.” - Diz Kimberly.
                “―Você está maluca? Você tem quer ir Kim. Nós, vamos ficar bem!” - Explica Luana, segurando agora com as duas mãos a madeira que adotou como arma, tentando animar a amiga a seguir com o seu salvador e tentando esconder a decepção de talvez não ter a mesma sorte que a amiga..
                “―Hmm!” - Pensa Arthas, retirando novamente sua espada da bainha.
                “―Ei?!! O que você vai fazer?!” - Dia Kimberly, assustada entrando na frente de Arthas ficando entre ele e seus amigos como se bloqueasse a passagem.
                “―Você não tem o direito de fazer-lhes nenhum mal.”
                “―O que?” Euhêm!..” - Fala Arthas se entender o por que de tanto alarde.
                Com sua espada novamente em mãos, Arthas se desvia dos quatro jovens e finca sua arma no chão.
                “―Venham até aqui e não saiam.” - Diz Arthas.
                Kimberly e seus amigos acatam a ordem de Arthas e se aproximam do local onde fincara a sua espada.
                Arthas, retira sua arma do chão e se distancia dos jovens. Logo depois, começa a desenhar um círculo em voltas dos quatro jovens. Terminado o desenho, ele se junta aos demais e após levar sua espada de volta a sua bainha, retira de uma extremidade oculta em sua armadura uma espécie de pergaminho.
                “―O que é isso?” - Pergunta Dinist.
                “―Isso, é o nosso transporte de volta.”- Responde Arthas desenrolando o tal papel que viera lacrado com uma fita preta.
                “―Gonpus pelastruic, Virtudes males, estruist preomine...” - Arthas inicia a leitura do tal pergaminho em voz alta, pronunciando palavras em um dialeto arcano incompreensível até que fora interrompido...
                “Finckt!!” - Uma flecha acerta em cheio o pergaminho nas mãos de Arthas, rasgando-no pela metade. Uma das metades ficou nas mãos de Arthas e a outra seguiu com a flecha numa trajetória não acompanhada pelos olhares apreensivos dos cinco novos companheiros.
                “―O que foi isso?” - Pergunta Keny.
                “―Droga! Fiquem todos juntos, haja o que houver! Temos companhia.” - Alerta Arthas.
                Os quatros jovens, não sabem o que fazer, assustados, apenas trocam olhares uns com os outros.
                “Fincfth!!”
                “Fincfth!!”
                Uma segunda.. Uma terceira flecha, passa rente a cabeça de Keny e Arthas. Percebendo o perigo, o paladino puxa Keny para trás e depois se esquiva dos projéteis numa velocidade sobrenatural.
                Os olhos vermelhos do elmo de Arthas brilham incandescentes e segurando o cabo de sua espada com a mão direita, aplica um só golpe preciso criando um corte no espaço, com um movimento que tem início da diagonal da bainha da espada, até acima de sua cabeça. O paladino sente que atingira algo.
                Logo na frente, um corpo cai dividido ao meio pelo seu  golpe.
                “―Drows!” - Diz Arthas.
                “―Tenho de levá-los para um local seguro.”
                Arthas pronuncia algumas palavras em um novo dialeto e seu cavalo branco toma a sua frente em meio a chamas relinchando por diversas vezes como se estivesse pronto a atacar.
                “―Penaragon, vá detê-los por alguns momentos. Vamos, venham!” - Explica Arthas e pegando na mão de Kimberly, corre na direção sul do bosque.
                Keny, Dinist e Luana são obrigados a acompanhar o paladino que carregara as pressas a sua amiga.
                Kimberly tropeça por algumas vezes, e em um galho de árvore na altura do joelho sem percebê-lo, faz-lhe um rasgo na perna. O ferimento é doloroso e sangrento. Kimberly, não consegue mais correr e nem se por em pé. Arthas, é obrigado a parar.
                Não tendo saída, Arthas empunha sua arma com as duas mãos e espera pelos outros que logo o alcançam.
                “―O que houve, Kim?” - Preocupado, pergunta Keny.
                “―Eu me cortei.”
                “―Minha nossa!” - Diz Luana, ao perceber o corte na perna da amiga.
                “―Vocês, se protejam!
                “―Hãnn! Aonde?!” - Exclama Dinist.
                Naquele momento surgem cinco guerreiros drows armados de espadas e arcos-flechas e preparados para atacar.
                “―Não entendo. Por que eu não consegui senti-los?” - Diz em voz bem baixa, Arthas.
                Temendo o pior, o paladino se prepara orando ao seu Deus.
                “―O meu grandioso Deus. Concedei-me o momentos a frente de meus inimigos e contra a maldade do mal. Eu digo que o bem, corre com a velocidade dos ventos do vale sagrado.“
                 Seus inimigos não eram lentos, longe disso. Eles sofriam pelo poder da fé do paladino que se movimenta a uma velocidade incrível.
                Neste momento, Arthas se vê pronto para agir e deixando seus amigos naquele local, joga sobre eles uma expeça névoa, que os cobre completamente.
                “―Sobre a terra que teu servo pisa neste momento ó Natan, Deus Poderoso, concedei a paz e a luz que expulsa a maldade!”
                Arthas, finalmente encara seus inimigos que por um instante, deixam de se deslocarem tão lentamente e partem numa velocidade incrível para o ataque.
                Os dois drows atacam Arthas ao mesmo tempo com suas espadas., cada um de um lado. Arthas se esquiva agachando do primeiro drow que o tentava golpear na altura de sua cabeça. O segundo, ele bloqueia com sua arma, conseguindo passar adiante e ficando a frente dos dois drows armados com arcos-flechas.
                Os dois drows se preparam para atirar, mas Arthas é mais esperto e erguendo sua mão esquerda que estava livre, dispara uma energia que se divide em cinco rajadas de luz na direção dos dois drows.
                “―Luz da Purificação!” - Grita Arthas.
                Imediatamente, as rajadas atingem em cheio os dois inimigos a sua frente. Duas rajadas de energia atingem o drow da esquerda e mais duas o da direita. A quinta rajada passa entre os dois drows subindo um pouco acima de suas cabeças e retorna com grande velocidade na direção do próprio Arthas. O primeiro drow que desferiu o  primeiro ataque, volta em mais uma tentativa de atingir Arthas com sua afiada espada. Mas o paladino pressentindo o perigo se abaixa na hora exata deixando o caminho livre para a quinta rajada que leva mais um drow ao chão.
                Arthas gira o corpo para trás, ficando novamente de frente para os dois primeiros drows. Ele estava cercado, mas isso não era problema. Tempos atrás, lutara contra uma legião de mortos-vivos e triunfara.
                O segundo drow surge num salto erguendo no alto sua espada golpeia Arthas. Com o seu aguçado reflexo, o paladino percebe o inimigo em mais um ataque veloz e bloqueia o ataque do oponente com sua espada. Fizera uma espécie de barreira com um movimente lateral. Barulhos de metal ecoam com os choques das duas lâminas. Arthas então, faz uma alavanca com o seu braço e empurra o inimigo que perdendo o equilíbrio, gira impulsionado pela força do paladino. E agora, Arthas aproveitava que o inimigo está desprovido de se defender, gira e salta, golpeando o drow com a sua espada. O inimigo cai desfalecido com um imenso rasgo que se estendia de um lado ao outro na lateral de seu corpo. Ainda restavam quatro.
                Penaragon surge saltando sobre o quinto drow que se preparava para atacar Arthas. Assustado com o animal, o drow decide mudar de alvo e desiste de Arthas para tentar atacar o pesadelo-branco. Penaragon fixa o olhar no inimigo e solta um relinchar estrondoso. O drow leva as mãos aos seus ouvidos deixando sua arma cair. Numa investida, Penaragon atropela o drow que cai em chamas.
                Arthas se vira agora para enfrentar os três drows restantes e empunha sua espada na altura da cintura com a lâmina para cima.
                Os dows arqueiros, se levantam com tamanha agilidade e miram suas flechas em Arthas. O único drow armado com espada dá cobertura aos seus aliados e parte para o ataque contra o paladino. Rodopiando sua arma, o drow se aproxima de Arthas que permanece andando em sua direção sem nenhum outro tipo de gesto. O inimigo, gira por mais uma vez sua espada e o golpeia. Arthas no momento certo coloca sua espada para bloquear o ataque do drow e num segundo movimento, gira sua espada num eixo circular de cima para baixo, desarmando o inimigo. Logo depois, o acertando por mais três vezes, na cintura, nas pernas e por último, cravando-lhe sua arma na barriga do drow. Os drows arqueiros disparam sua flechas na direção de Arthas. Visando o perigo, ele coloca o corpo de seu inimigo ainda fincado na sua arma, a sua frente, servindo-lhe de escudo contra os projéteis. Quatro flechas acertam o corpo do drow derrotado. Arthas se livra do corpo de seu inimigo que carregara na lâmina de sua espada e corre na direção dos dois drows restantes e que tentar armar novamente seus arcos. O paladino é muito rápido e num piscar de olhos, ele alcança os dois inimigos aplicando um poderoso golpe no drow da esquerda levando suas mãos acima de sua cabeça e puxando num movimento só para baixo. A pressão é tão violenta que Arthas crava sua espada no chão. Sem perder tempo ele gira o corpo num movimento duplo anti-horário golpeando o outro drow na altura da cintura separando a cintura do resto do corpo de seu inimigo que cai divido em duas partes sem vida.
                “―Nossa, ele é incrível!”
                “―Ele é inacreditável!”
                Dizem Luana e Dinist.
                “―O que houve? Parece que eles esqueceram que estávamos logo aqui. Eles nem sequer se incomodaram com agente.”
                “―Na verdade Keny, eles não os enxergaram. Eles estavam sob o efeito da minha oração. E enquanto permanecessem dentro deste círculo, eles nada de mal poderiam lhes fazer.” - Explica Arthas.
                “―Que animal incrível é esse?” - Pergunta Dinist se referindo ao cavalo de fogo.
                “―Esse é Penaragon, meu fiel amigo. É ele quem me conduz por essas terras. Travamos lutas contra o mal há tempos.
                “―O que ele é? Nunca ouvi, nem em histórias, a respeito de um cavalo com essas habilidades.” - Pergunta Keny.
                “―Ele, é um parente distante da besta Pesadelo. Ele é conhecido nas lendas como Pesadelo-branco. Ao contrário de seu primo irmão, os pesadelos-brancos não cultuam o mal. Ele me foi concebido pelo meu grandioso Deus Natan em sua tamanha bondade em reconhecimento a minha devoção. Mas não podemos ficar falando de mim e nem de Penaragon agora. Temos de sair desse bosque e aproveitar que está quase amanhecendo. Temos um dia e meio de viagem até o Templo da Deusa Millena.” - Avisa Arthas.
                “―Peraí!  Eu já ouvi falar desse lugar. É da escola Necromântica que você está falando, não é?” - Pergunta Keny.
                “―Sim, é a nossa única saída. Iríamos para Sfallow se o pergaminho não tivesse sido destruído pelos drows.”
                “―Arthas, e quanto a Okaiuris?” - Pergunta Dinist.
                “―Okaiuris é o menor de nossos problemas agora. Ancharion, está sendo toda tomada pelas forças de Khor.”
                “―Mas e Sfallow? Eles não vão fazer nada? Vão deixar que isso realmente acontece?”
                “―Não Kimberly. Tropas já estão sendo mobilizadas para virem a Acharion. Mas levarão dias para chegar aqui. Estimo já não ter nenhum lugar livre das mãos de Khor, quando o exército enviado por Sfallow chegar.”
                “―Meus pais e meus irmãos estavam na cidade quando aconteceu o ataque.” - Diz Keny, lamentando uma suposta perda total de sua família.
                “―Escuta Keny. Não tem certeza disso não é?” - Pergunta Arthas.
                “―... Não.”
                “―Então, tente não pensar. Sei que é difícil, mas tente não pensar. Não lamente antes de ter certeza...”
                “―Isso é difícil. Essa dúvida me consome. Só consigo pensar em vingança. Mas nem sei o que fazer. Sei que posso morrer a qualquer momento e sem poder fazer nada pela minha família.”
                “―Não digas tolice, Keny! Tome.” - Diz Arthas, retirando um objeto de uma extremidade de sua armadura e  entregando para Keny.
                “―O que é isso?”
                “―Vamos andando, temos muito para caminhar colina acima e irei explicando.”
                Arthas e Penaragon caminham juntos com Keny e sua turma em direção ao templo da Deusa Millena. Eles seguem conversando...
                “―Isso Keny, é o símbolo sagrado do meus Deus. Uma certa vez, eu estive em perigo e meus pais foram mortos em uma guerra. Eu queria morrer naquele dia...”


***


                “―Socorro, socorro!!!” - gritava desesperadamente uma camponesa com seu filho, uma criança de mais ou menos 6 primaveras. Ela deixava sua cabana em chamas e cruzava a praça de seu vilarejo em meio a um enorme caos. Corpos mutilados estavam caídos no chão.
                ”―Carmen! Carmen!!” - Gritava um homem que corria na sua direção.
                “―Querida, venha! Traga o nosso filho rápido!!! - Dizia o homem que vestia uma farda azul com botões dourados. Mas sua farda estava completamente em pedaços, era um farrapo humano. Parecia um cavaleiro, mas estava sem sua arma e com muito ferimentos pelo corpo. Praticamente, se rastejava em pé este homem.
                Criaturas horrendas armadas com clavas e lanças, invadiam o vilarejo matando e queimando.
                “―Tristan! Vamos morrer não vamos?!” - Perguntava a moça sem esperança alguma. Mas seu filho. Seu filho havia de ser salvo.
                Tristan e Carmen encontram um estábulo velho e em chamas e decidem entrar. Ainda dava para se esconder. O que existia lá dentro, já tinha sido queimado. Era a hora de se esconder e não de lutar, calculava Tristan.
                O casal com o seu filho no colo, entram o velho estábulo em chamas. Tristan, força a porta por dentro para que feche.
                Uma criatura de olhos esbugalhados vagava dentro de uma cabana completamente destruída e chegava em um estranho galpão. Ouvia o choro de uma criança. A criatura tinha olhos em brasas, sua face, lembrava a de uma raposa. Seu corpo parecia está em fase de decomposição. Uma de suas pernas e um de seus braços, eram puros ossos. Sua carne estava podre e fedia. Mostrava uma carcaça raquítica, arcada e peluda, como se andasse forçada sobre duas patas. Carregava um grande machado com gotas de sangue na lâmina, que ainda pingavam. Um portão bloqueava a sua passagem. Com o seu grande machado, a esquelética criatura golpeia com tamanha ferocidade o portão que logo vai a baixo.
                “―ahhhhhhhhhhhhh!!” Um grito.
                A criatura invade o estábulo. Tristan tentando defender sua família, é golpeado pela criatura no pescoço e tem sua cabeça separada do resto de seu corpo e cai morto na frente de sua família.
                A cabeça de Tristan cai rolando e pára a frente de Carmen sentada sobre palhas com o seu filho no colo que chora descontroladamente. Olhando para as feições tristes e sofridas expostas no rosto de Tristan, agora sem corpo. Ela olha sem mais esperança e se entrega a vontade dos deuses, abraçando firmemente seu filho e abaixando a cabeça diante da criatura.
                A criança cai no chão sob o corpo mole de sua mãe. Uma grande possa de sangue se forma no chão do estábulo manchando de vermelho uma parte da palha. Tentando engatinhar, a pequena criança força o peito de sua mão sobre a parte alta da palha e por uma fresta na parede do estábulo, consegue passar para o outro lado.
                Olhando assustada para todo o galpão em chamas, o menino escuta as ações da criatura assassina do outro lado da parede, golpeando violentamente a parede de madeira. Finalmente, a madeira cede e a criatura invade essa parte do estábulo encontrando o garoto. Descontrolado, o garoto corre de um lado para o outro, encostado à parede sem ter para onde fugir. A criatura o segue com os olhos caminhando na direção dela. Cercando o garoto, a criatura ergue sua arma por mais uma vez a fim de fazer uma nova vitima.
                Mas um homem á cavalo invade o estábulo destruindo a parede e arremessa uma lança contra a criatura, atingindo-a em cheio. Com a força do arremesso, a criatura e arremessada a turvas de distância, caindo sem vida.
                Este homem salvador, aparecera na hora certa e estendia a mão aquela criança que vendo que podia confiar retribuiu-lhe, pegando na sua mão. Imediatamente, o nobre cavaleiro, acomoda a criança a sua frente e parte em retirada do estábulo cruzando com velocidade, toda a aldeia. Alguns homens, lutavam contra aquelas criaturas enquanto escapam à cavalo, rumo a floresta. A criança se apegara a um símbolo e não o largara mais...”


***


                “―E foi assim, que tudo começou.” - Explica Arthas, segurando um medalhão preso ao seu pescoço por um grosso cordão de metal que tinha as cores em amarelo bem forte como as do sol.
                “―Impressionante!”
                “―Foi terrível!”
                Respectivamente, falam Keny e Kimberly.
                “―Pois é! Mas mudando de assunto... Aqui mudamos nossa trajetória. Teremos de subir as colinas e vou logo avisando. Olhem onde pisam, pois aqui, é muito perigoso. Penaragon, meu amigo! Eu te libero deste fardo essa noite. Vá e se recomponha! Em breve lhe chamarei novamente.” - Diz Arthas olhando para uma grande pedra e virando-se para a frente de Penaragon e erguendo a sua mão direita sobre a cabeça do animal, fazendo-lhe um breve carinho em sua testa. Penaragon por sua vez, faz a volta se pondo de costa para o grupo e sai em um apressado galope alçando vôo. Logo depois toma a forma de uma expeça nuvem de fumaça e se dissolve no ar.


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